Pular para o conteúdo principal

Microcrédito - 10 perguntas para Muhammad Yunus


Entrevista concedida pelo banqueiro dos pobres Muhammad Yunus à revista Istoé Dinheiro em 12.03.2010

Vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2006, o economista bengalês Muhammad Yunus é conhecido mundialmente como o banqueiro dos pobres.

Por Nicholas Vital
Fundador do Grameen Bank, instituição dedicada ao microcrédito, Yunus deve abrir em São Paulo, ainda neste ano, sua primeira subsidiária na América Latina. Segundo ele, os pobres de Bangladesh enfrentam os mesmos problemas e desafios dos pobres em qualquer parte do mundo. Em entrevista à DINHEIRO, Yunus conta como pretende ajudar a reduzir a pobreza no mundo.
97.jpg
"Em cinco anos, poderemos atender 10 mil famílias no Brasil"

DINHEIRO – O que levou o senhor a fundar um banco dedicado exclusivamente aos pobres?
YUNUS –
 Os bancos tradicionais não possuem serviços que atendam às necessidades dos pobres, o que diminui consideravelmente a possibilidade de geração de renda. Eu acredito em um sistema bancário mais democrático. O Grameen Bank tem a missão de levar o microcrédito ao maior número de pessoas possível.
DINHEIRO – O que mudou no Grameen Bank desde que o senhor ganhou o Prêmio Nobel?
YUNUS –
 Este é um prêmio que chama a atenção do mundo todo. É uma oportunidade de mostrar um projeto que vem crescendo ano após ano. Antes eu achava que ninguém estava prestando atenção em mim, como se eu gritasse e ninguém escutasse. Mas agora, eles escutam.
DINHEIRO – Como a crise afetou o banco?
YUNUS –
 Felizmente, a crise não nos afetou. Desde que o banco surgiu, em 1976, tem dado lucro. O Grameen Bank é 100% sustentável. Não dependemos de doações.
DINHEIRO – Com a crise, mais pessoas ficaram mais pobres?
YUNUS –
 A crise afetou pobres em todo o mundo, especialmente em países em desenvolvimento, que dependem muito de dinheiro público. Não tenho dados sobre o aumento de pobres. Nosso número de clientes se manteve estável.
DINHEIRO – O que trouxe o Grameen Bank ao Brasil?
YUNUS –
 Hoje vemos uma grande oportunidade no Brasil. O País é a maior economia da América Latina e vai sediar as Olimpíadas de 2016. Porém, a pobreza e a desigualdade social permanecem em níveis altíssimos nas áreas menos desenvolvidas. Queremos repetir o sucesso que tivemos nos Estados Unidos.
DINHEIRO – Quantos clientes o banco já tem nos Estados Unidos?
YUNUS – 
Nossa base em Nova York concedeu mais de dois mil empréstimos em apenas dois anos de operação. A intenção é ir a todos os países que nos convidem e providenciem o capital inicial necessário.
DINHEIRO – Do ponto de vista cultural, qual a diferença entre o pobre no Brasil e o pobre em Bangladesh?
YUNUS – 
Não vejo muita diferença. Os pobres de Bangladesh enfrentam os mesmos problemas e desafios dos pobres em qualquer parte do mundo, incluindo o Brasil. O modelo bancário adotado pelo Grameen Bank pode funcionar em qualquer lugar que tenha pobreza.
DINHEIRO – O que o senhor espera das atividades do Grameen Bank no Brasil?
YUNUS –
 A meta é ter um projeto de microcrédito que seja sustentável em até cinco anos. Vamos começar com apenas uma base, mas a ideia é expandir nossas operações.
DINHEIRO – Quantas pessoas podem ser beneficiadas pelo Grameen Bank no País?
YUNUS – 
Baseado na performance média de nossas outras operações, em cinco anos poderemos ter uma carteira com até 10 mil famílias. Nossa missão é levar os benefícios dos serviços bancários, como o microcrédito, para reduzir a pobreza. Seja lá onde for.
DINHEIRO – É possível acabar com a pobreza de uma vez por todas? 
YUNUS –
 Acredito que sim. Nossa missão é financiar projetos para que as pessoas mudem suas vidas. E isto pode acontecer em qualquer lugar do mundo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Mal que a Corrupção causa a um país e um povo

Prezados leitores do Blog do Oscar, lendo o jornal BBC Brasil On Line me deparei com a seguinte matéria sobre a dificuldade encontrada por empreendedores em abrir e manter seus negócios na Rússia, país tomado pela corrupção e leis retrógradas que atravancam o desenvolvimento do país, e tiram o sossego e o sono de empresários. 
Ser empresário na Rússia virou profissão de risco para aqueles que se recusam a vender seus negócios a pessoas estranhas, pressionados por autoridades fiscais corruptas, que agem de forma descarada, achincalhando os empresários honestos que geram empregos, renda e pagam impostos. 
Vejam que coisa mais absurda! Leiam a matéria, reflitam, e que possamos ficar atentos para que o mesmo não venha a acontecer no Brasil.
Russo diz ter sido preso por se recusar a vender empresa Empresário tomou empréstimos e investiu para modernizar indústria
Fazer negócios na Rússia é reconhecidamente difícil. Mas em poucos lugares o empresário pode ser preso por não querer se desfazer do s…

Eu odeio a Oi Velox Lixo

Prezados leitores do Blog do Oscar, nunca odiei uma empresa tanto quanto estou odiando a Oi Velox nesse momento. Necessito da internet para desenvolver grande parte do meu trabalho e desde segunda-feira passada estou tendo problemas com a conexão da Oi Velox Lixo que teima em cair a todo momento.
Há alguns meses atrás, passei pelo mesmo problema! Abri uma reclamação na Oi Velox Empresarial mas, nem me deram satisfação! Abri outra reclamação na ANATEL mas, com essa foi pior ainda, até a presente data não obtive nenhuma resposta por parte das duas empresas. Abri reclamação no site Reclame Aqui, outra decepção! Como não obtive êxito, resolvi não mais reclamar e logo que o contrato vencer no mês de setembro próximo, não o renovarei. Buscarei outras alternativas de acesso à internet.
Como não tenho a quem recorrer, escrevo esse post para sentar o pau (no bom sentido), para desabafar, para mostrar a minha indignação com  essa empresa porcaria, de quinta categoria, bem como, para sentar o cace…

A FÁBULA DA GALINHA NA TERRA DA TRIBUTAÇÃO E DA SOLIDARIEDADE

Prezados leitores do Blog do Oscar, pesquisando em meus arquivos, encontrei essa pérola escrita por um amigo de profissão, que retrata muito bem a situação daqueles que vencem através da educação, do trabalho árduo, e que tem coragem de ser empreendedor no país da tributação, da corrupção, da malandragem, do jeitinho brasileiro, das mamatas, das falcatruas, do carnaval com suas mulheres quase nuas, da senvergonhice de alguns cidadãos e políticos, dos feriados, da cachaça, da cerveja, do futebol, dos políticos corruptos e bandidos, e por último, da vagabundagem que se estabeleceu em nosso tão amado país, chamado Brasil!
Leiam, ponderem e reflitam o texto abaixo! Estamos em ano eleitoral e precisamos acordar para os problemas que nos afligem todos os dias como cidadãos brasileiros! Principalmente, os impostos que tanto nos atormentam e que, como somos sabedores, a fatia maior do bolo de impostos, vai para o bolso dos políticos e funcionários privilegiados dos tres poderes. Nestas eleiçõe…