terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Desafio do Microcrédito

Prezados leitores do Blog do Oscar, hoje, compartilho com vocês, um artigo escrito pelo amigo Cosme de Melo, Advogado e Presidente do Bemcred Banco do Empreendedor, sobre o Desafio do Microcrédito no Brasil. Vale a pena conferir o artigo, pois, o nobre amigo acumula boa experiência com relação ao assunto.

Passado o tempo em que a discussão era a de ofertar ou não o crédito ao empreendedor informal, nos deparamos com um novo desafio: o de encontrar operadores para trabalhar com os recursos destinados a ele. O governo brasileiro tem em média R$ 1 bilhão para oferecer ao setor do microcrédito produtivo orientado decorrente da aplicação de 2% sobre os depósitos compulsórios dos bancos comerciais e outro R$ 1 bilhão dentro do Programa de Microcrédito do BNDES.

Entretanto, grande parte desse valor não chega aos empreendedores individuais, àqueles menos estruturados que necessitam desse capital para desenvolver seu negócio, crescer, se formalizar, aumentar sua margem de lucro e assim ampliar a geração de emprego e renda. Para o empreendedor de qualquer idade iniciar o seu negócio próprio, praticamente não é destinado nenhum crédito.

Ainda não temos organizações suficientes e interessadas em operar esse volume de crédito no Brasil. Não há vontade dos grandes bancos, salvo honrosas tímidas iniciativas, em se preparar para a sua aplicação no mercado, uma vez que essa é uma operação considerada cara e trabalhosa.

Todavia, é necessário encarar que à medida que o mercado que está no pico da pirâmide, onde estão concentradas estruturas com maior poder econômico, vai ficando mais competitivo, as instituições financeiras e organizações afins vão se obrigando a descer para trabalhar com a sua base. Isso já vem ocorrendo.

A sociedade já avançou bastante nesta questão de financiar também o informal, pois entendeu que à medida que um empreendedor vai crescendo, ele se obriga a formalizar seu negócio, tendo em vista o seu progresso, o aumento da lucratividade e da sua competitividade.

Há um conjunto de fatores que fazem com que o empreendedor fique na informalidade por mais tempo. Mas quem oferece microcrédito não entra nesse mérito. Há uma consciência de que o próprio empreendedor sabe o momento certo para se formalizar e que se esse processo for acelerado, indevidamente ele certamente ocasionará mais riscos para o empreendimento. No momento em que um empreendedor começa a prestar serviço para uma grande empresa ou órgãos governamentais, ele naturalmente busca a formalização.

A grande dificuldade, hoje, é ter microcrédito em larga escala. O governo já criou vários mecanismos de estímulos, utiliza parte do depósito de compulsórios para aplicar em microcrédito, mas, as instituições financeiras teimam em não operar neste setor. Seja porque não dominam ou porque não querem dominar a sua metodologia.

A maior experiência do microcrédito no Brasil é operada pelo BNB, através do CREDIAMIGO, porém até o momento não atingiu ainda 5% do mercado potencial do microcrédito, que segundo estimativas do SEBRAE atinge a 25 milhões de empreendedores.

Os grandes bancos têm foco apenas em negócios mais estruturados. A atividade bancária brasileira é uma das mais estruturadas e sofisticadas; atua muito com a automação, enquanto o microcrédito se baseia em especial no relacionamento pessoal.

A metodologia do microcrédito pede que se avalie bem o cliente, que se aplique um levantamento socioeconômico, verifique se o empreendedor foi bem transparente ao fornecer os dados do seu negócio, se houve receptividade na visita do agente de crédito.

O agente de crédito também verifica se o empreendedor investiu o capital naquilo que planejou e informou ao solicitar o empréstimo. É um processo que gera cumplicidade e ao mesmo tempo uma certa autoridade ao agente para que ele possa cobrar, se necessário for, o resgate do crédito. De outro lado, o empreendedor percebe que a instituição apostou nele, estimulando-o a conduzir o seu projeto e a arcar com os compromissos financeiros.

O que percebemos hoje é que os bancos ditos oficiais conseguem descer um pouco mais os degraus na escala dos mais necessitados, porém ainda não ao ponto de chegar ao negócio informal. É preciso ter diversas estruturas envolvidas com o microcrédito e de forma integrada, para que ele chegue realmente a quem mais precisa e em larga escala.

O microcrédito é muito significativo em sua missão, mas possui uma fatia pouco significativa no mercado, mesmo sendo o combustível para a iniciativa empreendedora. Mesmo se estruturando lentamente, e com muita dificuldade, a missão do microcrédito é de fundamental importância para ajudar no sucesso dos empreendedores, tanto no tempo de crise quanto no tempo de crescimento econômico.

Créditos: JOSÉ COSME DE MELO FILHO, Presidente do BEMCRED. www.bemcred.com.br

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