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O Desafio de ser Empreendedor no Brasil

Prezados leitores do Blog do Oscar, lendo a entrevista do guru dos negócios e analista econômico norte-americano Jim Collins nas páginas amarelas da revista Veja de 01/12/2010, que falou sobre capitalismo, sobre as turbulências dos mercados financeiros que irão continuar e que os empresários brasileiros são os mais preparados para sair vitoriosos da crise, o que mais me chamou a atenção foi quando ele comparou o empreendedor norte-americano e o empreendedor brasileiro.

Quando perguntado pelo reporter de Veja sobre em quais dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) estão as melhores oportunidades de negócios, Jim Collins respondeu que, na Índia e no Brasil estão as melhores oportunidades pelo fato de em parte, os dois países historicamente terem sido caóticos e incertos para os negócios, o que posiciona bem seus empresários para os tempos que virão.


Falou que os empresários dos dois países demonstram ter imensa energia, suas empresas valorizam a diversidade e nota-se neles um incrível desejo de aprender e adotar novas idéias. Disse ainda que, os brasileiros são ainda melhores do que os chineses na arte de assimilar as idéias, os métodos e os processos mais eficientes de fora e adaptá-los às condições brasileiras.


Com relação ao espírito empreendedor, Jim Collins afirma que, o povo norte-americano tem qualidades extraordinárias, sendo a mais notável, o espírito empreendedor. Enquanto nos EUA se abre um negócio com a maior facilidade, sem precisar pedir permissão a ninguém, que ninguém poderá impedir quem quer que seja de "acordar amanhã de manhã e pegar metade de uma peça de sua casa e começar uma empresa", aqui no Brasil, você precisa ter muita disposição e bom ânimo para enfrentar uma verdadeira via crucis para abrir e legalizar um negócio!


O desafio de ser empreendedor no Brasil é enorme! Primeiro você precisa criar o nome da empresa, depois, fazer uma busca desse nome nos arquivos da Junta Comercial do seu estado para saber se já não existe uma empresa com nome igual ou parecido com a sua empresa, esse procedimento leva dois dias, depois da busca de nomes, deve preparar o contrato social se for uma sociedade, ou preencher o Requerimento do Empresário se for uma empresa individual e levá-los à Junta Comercial juntamente com a cópia autenticada do RG e do CPF dos sócios no caso de sociedade, ou do empresário,no caso de empresa individual, lá se vão mais dois dias, dependendo do movimento na Junta Comercial.


Após receber os documentos da Junta Comercial, deverá providenciar o CNPJ junto à Secretaria da Receita Federal, o Alvará de Funcionamento ou de Localização junto à Prefeitura e a Inscrição Estadual junto à Secretaria Estadual de Tributação, enviando os dados pela internet através do Cadastro Sincronizado. O processo para liberação do DBE (Documento Básico de Entrada), leva de dois a cinco dias, dependendo da boa vontade dos órgãos citados acima.


Após a liberação do DBE, o mesmo deverá ser assinado pelos sócios ou empresário, devendo os mesmos reconhecerem firma em cartório, agendar uma visita à Secretaria da Receita Federal levando o DBE, cópia autenticada do contrato social ou do requerimento do empresário e orar para que tudo dê certo e o funcionário da Secretaria da Receita Federal esteja de bom humor. Após esses procedimentos, providenciar o Habite-se do Corpo de Bombeiros, que leva de quinze a vinte dias dependendo das instalações, se estiverem de acordo com as especificações do Corpo de Bombeiros. Se o imóvel tiver mais de 200 metros quadrados, terá que apresentar um projeto com memorial descritivo feitos por um arquiteto.


Vejam bem prezados leitores, não citei aqui, as várias licenças ambientais (IDEMA, IBAMA, etc.). Comparando os dois países, podemos ver como é "fácil" abrir uma empresa e ser empreendedor no Brasil! Só não é quem não quer! Na entrevista, Jim Collins cita o exemplo da empresa de artigos esportivos Giro Sport Design, que por sinal, fabrica excelentes capacetes de ciclismo, cujo fundador é o empresário Jim Gentes. Jim Collins conta que foi convidado por Jim Gentes para visitar sua empresa em Stanford e que ao pegar o endereço e ir até a empresa, a mesma funcionava na casa dele. No quarto, ficava o estoque de mercadorias e matéria prima. Na garagem, havia uma pequena linha de montagem. Ele está fabricando novos capacetes de ciclismo e muitas lojas de bicicletas estão vendendo o produto. Hoje, metade do mundo usa os capacetes criados por Gentes.


Jim Collins afirma que, "é poderosíssima a idéia de que ninguém pode me impedir de abrir uma empresa na minha garagem". Enquanto lá, há essa possibilidade, aqui nem pensar! Sem contar que lá, há investidores ávidos por emprestar capital para fomentar o empreendedorismo, seja via investidores pessoas físicas ou através dos bancos, aqui, não existe nem uma coisa, nem outra. Os bancos brasileiros preferem emprestar dinheiro ao governo comprando seus títulos do tesouro por serem investimentos mais seguros, sem nenhum risco de perderem o capital emprestado e por renderem os juros mais altos do mundo! Com os juros pagos pelo governo, ninguém quer se arriscar! Por esse motivo, o governo gosta tanto de banqueiros e nunca mais gritou: "Fora FMI, fora banqueiros"!


Quando perguntado sobre o que o Brasil deveria fazer se quisesse reproduzir esse espírito empreendedor, Jim Collins respondeu que, em primeiro lugar, deve eliminar todo obstáculo para quem quiser começar uma empresa amanhã de manhã. Não pode haver papelada, burocracia, licenças, coisas que atrapalham. A segunda providência é criar mecanismos que sistematizem o processo de empreendedorismo: escolas de administração, capital de risco, investidores, fundos de pesquisa, etc.


Jim Collins afirma que, o empreendedorismo não é uma questão de personalidade. É um processo sistemático e replicável, que pode ser ensinado a qualquer pessoa que tenha disciplina. Não é coisa exclusiva de visionários ou malucos aventureiros. Empreendedorismo se ensina. Em terceiro lugar, é necessário valorizar elementos de uma cultura em que a falência honesta seja respeitada. Nos Estados Unidos, se você agir corretamente, com ética e decência, mas sua empresa falir, tudo bem. Você não será criticado. Será elogiado por ter tentado caminhar com as próprias pernas. Celebrar a falência honesta é fundamental.


Já aqui no Brasil, se você vier a falir, azar o seu! Você será visto e estigmatizado como um empresário incompetente que mereceu quebrar! Você será demonizado! Ser empresário no Brasil é sinônimo de explorador de mão de obra, de ganancioso, de inescrupuloso, e outros adjetivos mais. O governo trata o empresário como um verdadeiro bandido até prova em contrário! Os fiscais do governo batem na tua porta todos os anos, principalmente os fiscais do Ministério do Trabalho! Sem falar se você cair nas barras da (In)Justiça do Trabalho, com juízes que pensam que são Deuses, aí sim, você verá que não estou exagerando! Você é achincalhado pelos fiscais do governo! Até prova em contrário, você é um "sonegador de impostos, você é um bandido".


O governo joga a população e a classe trabalhadora contra os empresários esquecendo ou não querendo lembrar, que são as empresas que movimentam a economia do país! Que sem as empresas para gerar empregos, renda, impostos, taxas e contribuições, como é que o governo irá bancar suas benesses? De onde virá o dinheiro para pagar o funcionalismo público, as regalias e mordomias de altos funcionários do governo, de onde virá dinheiro para pagar os inúmeros e famigerados cargos comissionados? Como haverá dinheiro para distribuir as "Bolsas Esmolas" aos pobres, ignorantes e miseráveis em troca de votos? O governo pousa de bonzinho, de mocinho na história! O governo passa para a sociedade e a classe trabalhadora, uma imagem de que é o "Robin Hood do povão", que toma dinheiro das empresas em forma de impostos, taxas e contribuições, para distribuir com os pobres com a desculpa de fazer uma "distribuição justa" de renda.


As leis no Brasil, além de serem muitas, são muito confusas! Foram mal elaboradas por nossos "honoráveis legisladores", no sentido de confundir o contribuinte e induzi-lo ao erro, para assim, aplicar pesadas multas e aumentar a arrecadação. A classe contábil sofre barbaridades para cumprir as obrigações principais e acessórias, com prazos curtos e a ameaça de serem multados pela falta ou entrega em atraso das obrigações acessórias e principais. Nossa carga tributária beira em torno de 46% e o governo acha pequena comparada aos países de primeiro mundo! Só que, nos países de primeiro mundo, o cidadão recebe de volta em forma de excelentes serviços públicos, parte do que paga em impostos. Aqui não recebe nada! Tem que pagar por fora se quiser ter bons serviços como: saúde, educação, moradia, segurança pública e etc.


Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, da falta de incentivos, de toda a corrupção dos políticos e de alguns funcionários públicos, dos achincalhes por parte do governo brasileiro, não consigo fazer outra coisa, senão, ser empresário e empreendedor! E viva o herói Empreendedor brasileiro!!! Sem o empreendedor brasileiro não haverá desenvolvimento!!! Não haverá economia forte, emprego, renda, impostos, taxas e contribuições!!!

ACORDA BRASIL!!!

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