terça-feira, 16 de março de 2010

Microcrédito - 10 perguntas para Muhammad Yunus


Entrevista concedida pelo banqueiro dos pobres Muhammad Yunus à revista Istoé Dinheiro em 12.03.2010

Vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2006, o economista bengalês Muhammad Yunus é conhecido mundialmente como o banqueiro dos pobres.

Por Nicholas Vital
Fundador do Grameen Bank, instituição dedicada ao microcrédito, Yunus deve abrir em São Paulo, ainda neste ano, sua primeira subsidiária na América Latina. Segundo ele, os pobres de Bangladesh enfrentam os mesmos problemas e desafios dos pobres em qualquer parte do mundo. Em entrevista à DINHEIRO, Yunus conta como pretende ajudar a reduzir a pobreza no mundo.
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"Em cinco anos, poderemos atender 10 mil famílias no Brasil"

DINHEIRO – O que levou o senhor a fundar um banco dedicado exclusivamente aos pobres?
YUNUS –
 Os bancos tradicionais não possuem serviços que atendam às necessidades dos pobres, o que diminui consideravelmente a possibilidade de geração de renda. Eu acredito em um sistema bancário mais democrático. O Grameen Bank tem a missão de levar o microcrédito ao maior número de pessoas possível.
DINHEIRO – O que mudou no Grameen Bank desde que o senhor ganhou o Prêmio Nobel?
YUNUS –
 Este é um prêmio que chama a atenção do mundo todo. É uma oportunidade de mostrar um projeto que vem crescendo ano após ano. Antes eu achava que ninguém estava prestando atenção em mim, como se eu gritasse e ninguém escutasse. Mas agora, eles escutam.
DINHEIRO – Como a crise afetou o banco?
YUNUS –
 Felizmente, a crise não nos afetou. Desde que o banco surgiu, em 1976, tem dado lucro. O Grameen Bank é 100% sustentável. Não dependemos de doações.
DINHEIRO – Com a crise, mais pessoas ficaram mais pobres?
YUNUS –
 A crise afetou pobres em todo o mundo, especialmente em países em desenvolvimento, que dependem muito de dinheiro público. Não tenho dados sobre o aumento de pobres. Nosso número de clientes se manteve estável.
DINHEIRO – O que trouxe o Grameen Bank ao Brasil?
YUNUS –
 Hoje vemos uma grande oportunidade no Brasil. O País é a maior economia da América Latina e vai sediar as Olimpíadas de 2016. Porém, a pobreza e a desigualdade social permanecem em níveis altíssimos nas áreas menos desenvolvidas. Queremos repetir o sucesso que tivemos nos Estados Unidos.
DINHEIRO – Quantos clientes o banco já tem nos Estados Unidos?
YUNUS – 
Nossa base em Nova York concedeu mais de dois mil empréstimos em apenas dois anos de operação. A intenção é ir a todos os países que nos convidem e providenciem o capital inicial necessário.
DINHEIRO – Do ponto de vista cultural, qual a diferença entre o pobre no Brasil e o pobre em Bangladesh?
YUNUS – 
Não vejo muita diferença. Os pobres de Bangladesh enfrentam os mesmos problemas e desafios dos pobres em qualquer parte do mundo, incluindo o Brasil. O modelo bancário adotado pelo Grameen Bank pode funcionar em qualquer lugar que tenha pobreza.
DINHEIRO – O que o senhor espera das atividades do Grameen Bank no Brasil?
YUNUS –
 A meta é ter um projeto de microcrédito que seja sustentável em até cinco anos. Vamos começar com apenas uma base, mas a ideia é expandir nossas operações.
DINHEIRO – Quantas pessoas podem ser beneficiadas pelo Grameen Bank no País?
YUNUS – 
Baseado na performance média de nossas outras operações, em cinco anos poderemos ter uma carteira com até 10 mil famílias. Nossa missão é levar os benefícios dos serviços bancários, como o microcrédito, para reduzir a pobreza. Seja lá onde for.
DINHEIRO – É possível acabar com a pobreza de uma vez por todas? 
YUNUS –
 Acredito que sim. Nossa missão é financiar projetos para que as pessoas mudem suas vidas. E isto pode acontecer em qualquer lugar do mundo.

Blackberry entra no jogo


A canadense RIM começa a fabricar smartphones no Brasil. Com preços menores, vai brigar pelo consumidor final

Por Rodrigo Caetano
De futebol eles não entendem muito. Mas em matéria de telefones celulares, os canadenses da RIM (Research in Motion) podem ser comparados a seleções revolucionárias, como a da Holanda, de 1974, ou a da Hungria, de 1954. São eles que criaram e fabricam o BlackBerry, telefone inteligente (smartphone) que virou hit no mundo dos negócios.
 
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"Quando você tem os fundamentos e a tática correta, é possível crescer mais de 1.000%" 
Jim Balsillie, copresidente da Research in motion

 
É possível dizer que um executivo sem um BlackBerry é quase como um jogador de futebol sem chuteiras. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, brigou para poder usá-lo no exercício do cargo. Só que agora a empresa quer jogar também em outro campo: o do consumidor final brasileiro. Para isso, está iniciando a produção terceirizada de celulares na fábrica da Flextronics, em Sorocaba, São Paulo.
O modelo que inaugura a fabricação local, o Curve 8520, é recheado de aplicativos para o uso de redes sociais e compartilhamento de fotos e vídeos. Bem ao gosto do público jovem. “Quando você tem os fundamentos e a tática correta, é possível crescer mais de 1.000%”, afirmou Jim Balsillie, copresidente da empresa, que esteve no Brasil, na semana passada, para fazer o anúncio sobre a fabricação local, que foi antecipada por DINHEIRO na edição 606, de maio de 2009.
A frase de Balsillie foi cuidadosamente calculada. A RIM chega ao mercado brasileiro mostrando as suas credenciais: crescimento de vendas de mais de 1.300%, um milhão de BlackBerrys comercializados e uma fatia de 2,3% do mercado em 2009. Pouco? Sim, muito atrás da Nokia, a líder do segmento de celulares, e das coreanas LG e Samsung.
Mas, no quesito smartphone, a empresa canadense está atrás apenas da Nokia e à frente da Apple, com o seu badalado celular iPhone. O desafio da RIM para aumentar essa participação é convencer o mercado de que o seu celular pode ser atraente também para o consumidor final e não apenas para executivos engravatados.
 
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Em busca do público jovem: o Curve quer atrair os adolescentes com aplicativos para uso 
de redes sociais e compartilhamento de fotos e vídeos
Lá fora, esse mito já começa a ser derrubado. No Brasil, esse é o desafio. Um dos trunfos é a fabricação local, que vai deixar o aparelho, em média, 30% mais barato, pois ganha incentivos fiscais semelhantes aos de um computador. “Podemos esperar um posicionamento mais agressivo tanto da RIM como das concorrentes”, diz a analista da consultoria Gartner, Elia San Miguel. No ano passado, de acordo com dados da consultoria, os smartphones representaram 5,7% das vendas totais de aparelhos celulares no Brasil.
Este ano, o porcentual deve chegar a 8,6%. Em média, os consumidores brasileiros levam 18 meses para trocar de celular, destaca João Bruder, analista de telecomunicações da consultoria IDC. Ao final de cada ciclo, a tendência é de troca por um aparelho mais potente, com mais recursos. “Os telefones inteligentes aparecem quase sempre como a primeira opção”, diz.
O mercado de smartphones é considerado a nova “terra prometida” dos celulares. Tanto que tem atraído uma série de gigantes, como Google, Microsoft e Apple. Todas estão interessadas em um universo de cinco bilhões de pessoas, número estimado dos assinantes de serviços de telefonia móvel no mundo ao final de 2010. “Estamos aqui para anunciar o início da produção em março, não para dizer que vamos fabricar no Brasil um dia”, disse o copresidente da RIM, Jim Balsillie, dando a entender que vai disputar o mercado brasileiro com fome de bola. Enfim, as estratégias estão lançadas e o jogo está apenas começando. Uma conclusão, porém, já é possível: para a RIM, a melhor defesa é o ataque.

RIM vai fabricar BlackBerry no Brasil

Empresa confirma informação antecipada pela DINHEIRO e anuncia acordo com a Flextronics para a fabricação dos celulares
Por Rodrigo Caetano
A RIM (Research in Motion) confirmou a informação antecipada pela DINHEIRO e anunciou que vai começar a produzir os aparelhos BlackBerry no Brasil. A empresa fechou um acordo com a Flextronics, que produz equipamentos para diversas marcas. Inicialmente, a empresa irá fabricar o modelo Curve 8520, voltado para jovens e para o uso em redes sociais.
Segundo a assessoria de imprensa da RIM, ainda não há data estabelecida para o início da produção. O copresidente executivo da empresa, Jim Basillie, está no Brasil para anunciar a iniciativa. A expectativa é que outros modelos sejam fabricados no país.
A RIM possui 2,3% de participação no mercado brasileiro de celulares, de acordo com dados da consultoria norte-americana Gartner Group. No ano passado, ela chegou a 1 milhão de aparelhos vendidos. O crescimento das vendas da empresa no País ultrapassa 1.300%. Em 2008, apenas 93,9 mil unidades do BlackBerry foram vendidas.O badalado IPhone, da Apple, registrou vendas de 324 mil unidades no Brasil no mesmo período.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Anatel avalia modelo para teles virtuais

Danilo Fariello, de Brasília
12/03/2010

O corpo técnico da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) considera o projeto de criação das operadoras móveis virtuais ainda aberto a aperfeiçoamentos, até sua avaliação final prevista para julho. Ontem, na última audiência pública sobre a Mobile Virtual Network Operators (MVNO), como é chamada, representantes da agência afirmaram não descartar a criação do sistema ainda este ano, mas indicaram poder ceder a certos pleitos das teles. Entre eles, está a definição de regras mais claras sobre a obrigatoriedade de aceitarem negociar acordos com empresas que se interessem por montar uma rede virtual.

O conceito de MVNO já é popular em diversos países do mundo. Na Europa e nos EUA, empresas de varejo ou de produtos de consumo, como a Virgin e a Red Bull, vendem celulares em parceria com as operadoras. No Brasil, redes como Carrefour e Pão de Açúcar já mostraram interesse. Para o usuário, o produto pode funcionar como um cartão de crédito oferecido por magazines que agregam promoções específicas aos clientes das lojas, entre elas, o pagamento da conta por meio do celular ou receber informações de descontos via torpedo.

Para a Anatel, essa é uma forma de manter o crescimento vertiginoso da telefonia móvel, de gerar maior competição nesse mercado e de oferecer aos usuários serviços agregados à telefonia, explica o gerente de regulamentação, Bruno de Carvalho Ramos. Segundo Antonio Bedran, conselheiro da Anatel, o assunto deverá ser avaliado pelo conselho diretor até julho.

Ramos comenta que a Anatel poderá avaliar mudanças na proposta. Um exemplo seria rever prazos e definir mais claramente regras para as operadoras descartarem uma negociação com parceiro interessado na MVNO. Conforme a regra em discussão, a operadora não é obrigada a aceitar parcerias, mas tem de justificar isso em até 60 dias à Anatel. Para a agência, não há risco de as operadoras se fecharem a parcerias nesse mercado, porque isso poderá significar maior receita para elas, já que compartilharão os valores pagos pelos usuários.

Em discurso durante a audiência, porém, a Oi voltou a mostrar suas preocupações com relação à criação das MVNO. Para a consultoria LCA, contratada pela Oi para estudar o setor, o mercado atualmente já é competitivo e, por ainda estar em fase de maturação, seria cedo para a Anatel regulamentar a MVNO. "Os consumidores não terão benefício no curto e no longo prazo", concluiu o estudo encomendado à LCA.

Segundo Ramos, a Anatel quer ser abrangente na proposta, oferecendo mais estímulos a novos serviços do que restrições. "Não temos ideia de quantos serviços podem ser criados", disse o gerente-geral de comunicações pessoais terrestres da Anatel, Nelson Takayanagi. Entre as possibilidades aventadas estão o rastreamento por celular e o uso do aparelho como meio de pagamento por bancos.

Para Takayanagi, com as redes virtuais as operadoras poderiam concentrar investimentos em infraestrutura. "Vão deixar o varejo para quem entende de varejo." A Anatel já foi procurada por diversas instituições interessadas na MVNO, inclusive igrejas.

Contribuições à proposta da Anatel podem ser feitas até o dia 22 e, depois disso, a regra final para a MVNO ainda vai à avaliação do conselho da agência.

Da lista de penhora ao arrombamento

O que dizem os projetos de lei e de lei complementar que estão na Câmara.

Principais pontos:
1 - Diretores e gestores de empresas terão que assumir o compromisso de acompanhar e exigir o cumprimento das obrigações tributárias das entidades que representam.
2 - O administrador ou gestor de uma empresa poderá responder subsidiariamente pelo pagamento de débitos de uma empresa com o Fisco nas seguintes situações:
a)Deixar de provar que empregou, no exercício de sua atividade, o cuidado e diligência que se costuma dispensar à administração de negócios;
b)Alienar ou dar em garantia quaisquer bens sem que sejam garantidos os créditos da Fazenda Pública;
c) Ter distribuído lucros, dividendos, bonificações ou juros sobre capital próprio a partir da data de vencimento do tributo que não tenha sido quitado.

3 - Quem for notificado e não efetuar o pagamento do débito, não solicitar parcelamento ou não prestar garantia integral da cobrança terá que fazer uma lista de todos os bens que possui para possível penhora por parte do governo.

PROJETO 5.080

O projeto de lei muda o mecanismo de cobrança da dívida ativa e permite a penhora de bens pelo governo antes mesmo de uma decisão judicial.

Principais pontos:

1 - O projeto cria um sistema de investigação patrimonial com acesso a todos os dados financeiros e patrimoniais das pessoas físicas;

2 - Autoriza que as penhoras sejam feitas por oficiais da Fazenda Pública sem a interferência do Poder Judiciário;

3 - Determina ao Judiciário que autorize aos oficiais de Fazenda poderes de arrombamento;

4 - Sujeita todas as medidas apenas a um posterior crivo da Justiça.

PROJETO 5.081

Cria mecanismos de cobrança de créditos inscritos em dívida ativa da União, das autarquias e das fundações públicas federais e regulamenta a apresentação de garantias extrajudiciais.

Principais pontos:

1 - O contribuinte poderá oferecer garantias extrajudiciais para os débitos inscritos em dívida ativa, como depósito em dinheiro, fiança bancária e hipoteca de imóveis, navios e aeronaves.

2 - Os créditos inscritos na dívida ativa poderão ser extintos por meio da arrematação ou dação em pagamento, em leilão extrajudicial, de bens imóveis.

PROJETO 5.082

Estabelece a transação tributária, mecanismo pelo qual um contribuinte poderá negociar com a Procuradoria-Geral da Fazenda e Receita Federal formas de pagamento dos débitos tributários.

Principais pontos:

1 - Os contribuintes poderão apresentar uma única vez o pedido de transação tributária.

2 - As transações não poderão implicar negociação do valor do tributo devido.

3 - A Câmara Geral de Transação e Conciliação da Fazenda Nacional (CGTC), órgão que será criado, deve fixar os requisitos, forma e parâmetros para as transações.

Diretores poderão responder por débitos tributários da empresa

Renato Andrade

DEFESA - Para Luís Adams, as medidas são de interesse do Estado e não do governo pois ajudam a defender a sociedade dos sonegadores

Um dos principais problemas no pacote de mudanças na fiscalização tributária está no projeto de lei complementar que propõe alterações no Código Tributário Nacional. Se aprovadas, essas mudanças irão responsabilizar gestores e administradores por possíveis débitos tributários das empresas em que trabalham. Para que isso aconteça, basta que um fiscal argumente que o administrador deixou de provar que atuou com "cuidado e diligência" na gestão dos impostos.

Para Sidney Stahl, especialista na área de tributos da PRS&Z Advogados, a possibilidade de penhora sem decisão judicial representa uma inversão da ordem dos fatos e formaliza uma postura equivocada da área de fiscalização tributária, que sempre trata como má-fé qualquer infração cometida por um contribuinte. "Precisamos acabar com a supremacia do Estado sobre o cidadão do modo que foi construída no Brasil. É o Estado que deve servir às pessoas, não os cidadãos ao Estado", disse.

No documento da Ordem dos Advogados do Brasil-SP (OAB), que avaliou o pacote do governo e contou com o apoio de entidades como a Associação Comercial de São Paulo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Fecomércio, os advogados paulistas fizeram duras críticas às propostas de alteração do Código Tributário e da Lei de Execuções Fiscais.

Anteontem, o advogado-geral da União, Luis Adams, defendeu o pacote de vigilância fiscal no Conselho Federal da OAB. Adams disse aos advogados que as medidas são de interesse do Estado, e não do governo, pois ajudam a defender a sociedade dos sonegadores.

O governo quer que os diretores e gestores de empresas assumam o compromisso de acompanhar e exigir o cumprimento das obrigações tributárias das entidades que representam. O Fisco quer também ter o direito de responsabilizar os administradores se eles alienarem ou derem em garantia quaisquer bens sem que antes tenham sido garantidos os créditos da Fazenda Pública. Vale o mesmo tipo de responsabilização se o gestor da empresa tiver distribuído lucros, dividendos, bonificações ou juros sobre capital próprio a partir da data de vencimento do tributo que não tenha sido quitado.

MATÉRIA ESPINHOSA

Apesar da movimentação no Congresso, as empresas contam com a paralisia do Congresso em período eleitoral para que as propostas atrasem a chegada ao plenário.

O governo enfrenta um problema, que joga a favor do contribuinte: a alteração do Código Tributário precisa ser aprovada antes das outras medidas, mas o projeto de lei complementar que trata do assunto terá de passar pelo crivo de pelo menos três comissões da Câmara, para depois ser votado em plenário e seguir para o Senado.

"A matéria é espinhosa e não é algo que você reúne a maioria e passa por cima da oposição", disse um técnico que acompanha a tramitação das propostas.

Motorola luta para reencontrar sua vocação

Ana Luiza Mahlmeister, de São Paulo
11/03/2010

Telefonia: Celular inteligente ganha destaque na estratégia da fabricante

A pressão competitiva na indústria de celulares faz vítimas ao longo do caminho. O consumidor é volúvel e elege seus favoritos ao sabor da inovação. Acompanhar esse ritmo tem exigido muita energia, investimentos e estratégias precisas para equilibrar os desejos dos assinantes e manter a rentabilidade. Particularmente para a Motorola, os últimos dois anos exigiram esforço extra para que a companhia encontrasse novamente sua vocação.

No último trimestre de 2008, a companhia teve um prejuízo global de US$ 3,6 bilhões. No ano passado, iniciou uma retomada discreta, mas constante. Este ano será decisivo, pois a empresa já jogou o que considera sua grande cartada: uma parceria com o Google para o sistema operacional Android. Esse movimento a coloca como participante do mercado que mais cresce atualmente, o dos aparelhos inteligentes (smartphones). Essa aliança com o Google também abre para o consumidor dos celulares da Motorola uma loja virtual com mais de 30 mil aplicativos.

À frente da subsidiária brasileira, Enrique Ussher destaca o trabalho do novo presidente mundial, Sanjay Jha, que nos últimos 18 meses redirecionou a companhia para atender, de forma mais focada, aos anseios dos consumidores. A parceria com o Google deu mais recursos para concorrer com as rivais Apple e RIM, fabricante do BlackBerry, e já resultou no lançamento de oito modelos de telefones inteligentes. Os resultados começaram a aparecer em 2009 com o crescimento da receita e a volta do lucro.

Dos oito aparelhos lançados mundialmente, três já estão no Brasil (Dext, Milestone e Backflip). O Quench, recentemente anunciado no Mobile World Congress, em Barcelona, chega ao país no fim do mês. A empresa não divulga números regionais, mas a matriz demonstrou a importância do mercado brasileiro ao escolhê-lo para o lançamento mundial do Backflip com o Android, por meio de uma parceria com a Vivo.

Todos esses aparelhos e os que chegarão ao mercado são produzidos na fábrica da Motorola em Jaguariúna, no interior de São Paulo, para consumo local e exportação. Só no ano passado, a empresa exportou US$ 557 milhões entre aparelhos, equipamento de rede IDEN, rádio bidirecional, módulos sem fio e scanners, sendo que os celulares representam a maior parte desse faturamento.

Para se diferenciar da concorrência do próprio Android em outros aparelhos (de fabricantes como HTC, Samsung e LG) a Motorola coloca uma camada própria de software, o Motoblur. O sistema integra diversas aplicações e melhora a interface do assinante com os programas residentes no aparelho. As redes sociais, por exemplo, podem ser agrupadas em uma única tela e são atualizadas de forma unificada. Os contatos dessas redes são agregados e sincronizados na agenda móvel, assim como o e-mail da empresa e o pessoal que podem ser acessados de uma única caixa postal.

Além da loja do Google - que dá acesso a uma ampla linha de programas -, a Motorola lançou em fevereiro, primeiro na China, uma loja própria de aplicativos, a Shop4 Apps, com sistemas testados e homologados para o Android. A loja não tem data para chegar ao Brasil, mas a empresa já iniciou um movimento para atrair desenvolvedores brasileiros para sua plataforma com o lançamento, ainda neste primeiro semestre, do programa mundial MotoDev, comunidade dos criadores de aplicativos.

O foco em aparelhos inteligentes traz um desafio extra para a subsidiária brasileira. No país, 80% da base de assinantes é de usuários de celulares pré-pagos que usam aparelhos mais simples. "Os aparelhos com sistema operacional Android e a camada Motoblur estão bem posicionados porque ao integrar funções, economizam tempo de transmissão de dados com a operadora", afirma Ussher. A tendência, segundo o executivo, é que esses aparelhos comecem a chegar ao mercado de massa até o fim do ano, quando seu preço médio deve cair dos atuais US$ 800 para US$ 150 (sem subsídio da operadora).

As escolhas da companhia começam a dar sinais positivos. Ussher aponta que nos Estados Unidos a participação de celulares Android no tráfego de dados aumentou de 6% para 21% nos últimos três meses de 2009, registrando o maior crescimento entre os sistemas operacionais, conforme pesquisa da companhia americana Change Wave Research. A mesma empresa mostra que a intenção de compra dos produtos Motorola no segmento de telefones inteligentes cresceu de 1% para 13% nos últimos meses de 2009, ano em que a companhia registrou a venda de 2 milhões de aparelhos inteligentes no mundo.

Fonte: Valor Econômico

Porque votarei no Jair Messias Bolsonaro

Prezados leitores, há muito tempo venho observando os políticos e procurando um bom motivo para não votar em Jair Messias Bolsonaro!!! Aí...